Feito de três continentes
Ai, mundo de Portugal,
Gente mãe de tantas gentes!”
(Manuel Bandeira)
Já não poderia ser jurado mas, em 2005, aos oitenta anos, Mário Soares candidatou-se para o que seria o seu terceiro mandato como Supremo Magistrado da Nação. Por outro lado, qualquer “tiririca” pode, potencialmente, representar-nos, mas não colaborar de decisão judicial, em Tribunal Coletivo.
Por um lado, dado o aumento da esperança de vida, e os desmandos financeiros que contribuem, grandemente, para o colapso do sistema de Segurança Social, aumenta-se a idade de reforma. Por outro, considera-se um cidadão, aos sessenta e cinco anos de idade, já incapaz de participação como jurado, em Tribunal de Juri. E no entanto, florescem universidades para a terceira idade.
Por raros que sejam este tipo de julgamentos em Portugal, torna-se difícil entender a lógica do legislador. O que assusta, é o uso da mesma ‘lógica’ em todo o sistema jurídico português e em todos os aspetos da vida nacional.
O mal de Portugal não está na sua dimensão territorial ou posição geográfica. O problema de Portugal é a desorganização, o laxismo, o compadrio, a corrupção, a incompetência, e os portugueses.
A incapacidade de sonhar e planear o futuro, em bases sólidas, com uma linha de continuidade transversal a qualquer força política, sendo mais do que notória, é lastimável. Elegem-se dirigentes políticos, segundo preconceitos revolucionários: os bons e os maus, a esquerda e a direita, os do povo e os da elite. Raramente, segundo critérios de probidade, competência e dedicação à causa pública.
A dívida, é a menor das maleitas portuguesas. O importante é curar as moléstias genéticas.
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Porque sonhaste o meu sonho. E ébrio, vento manso – Ó! mulher amada -, Não estavas só. Anelantes, do lusco-fusco [Luís Eusébio] |
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O conceito de tolerância é de tal forma ambíguo, que tresanda a intolerância. As coisas, as pessoas, os factos, ou se aceitam ou não. Se aceitamos, não toleramos. Se não aceitamos, não toleramos.
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Que herança deixaremos aos nossos filhos?
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Aguarela e carvão de Isabel Almeida
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Tremem frígidos os ramos |
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(Desfloradas e tão castas |
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| [Luís Eusébio] | |
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| Saboreamos croissants com compota de framboesa Café com leite morno que adoçaste com pureza Torradas barradas com manteiga todo o sal Sumo de laranjas frescas: agridoces de Portugal Nos matutinos o negrume |
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(As Buganvílias nos canteiros
explodindo em flor regadas pelo orvalho enchem-nos de cor) |
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Em tuas mãos a ternura
que já teu corpo doara repousam beijos de amante silentes na manhã clara Em teus olhos o brilho e a maciez de um arminho Doces - que não inocentes! - beijam-me com carinho |
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(Do nosso jardim profundo
pardais chilreiam pelos ramos frenéticos delatando ao mundo o tanto que nos amamos) |
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[Luís Eusébio]
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“Win or lose, sink or swim, / One thing is certain, we’ll never give in / Side by side, hand in hand, / We all stand together. ” – Paul McCartney – We all stand together Quando a música é parte integrante e fundamental da nossa vida, frequentemente acontece elegermos um ou outro tema que nos inspira e eleva, que nos permite ver o sol raiar para além das nuvens mais escuras e espessas, que nos une e nos imbui de um espírito único e, solidariamente dinâmico. Na vida, não raramente, temos que enfrentar dilemas. Alguns, excruciantes. E, no entanto, quando o mais fácil seria virar costas, vamos à luta. São decisões que, por vezes, nem estamos nas melhores condições psicológicas de ponderar. O instinto diz-nos que, o nosso comodismo ou cobardia, poderá afectar, irremediavelmente, as nossas vidas e as daqueles que gerámos. Quando a justeza das nossas motivações é inegável, e a alegria dependurada nos olhos duma criança não esmorece; quando os tentáculos do polvo são enormes, poderosos, e nunca antes foram cerceados; quando as ausências nos corroem a carne, como vermes despudorados e famintos; quando o amor, é primário, único, e revela-se em empatias e nos mais nobres propósitos, sabemos então que apenas poderíamos ter seguido o caminho que percorremos. Nem sempre se ganham as batalhas que travamos. A vida não seria vida, se não tivesse essa componente de angustia e incerteza. E nem sempre, ganhas as batalhas, o júbilo da vitória é doce. Há sempre algo de nós que fica perdido no campo de batalha. Mas, quando a vitória tem, como resultado, o solidificar de afectos; quando a vitória acontece, não só mas também, porque “We all stood together”, nada se lhe compara. |
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“ Love me like a river does / Cross the sea / Love me like a river does / Endlessly… ” – Melody Gardot – Love me like a river does Não é a página em branco que me assusta. É apenas uma página em branco. O que me assusta é o vazio dentro de mim ou, a incapacidade de a preencher, sensivelmente, com o turbilhão de pensamentos e emoções que se atropelam, que me assaltam, quando a enfrento. Não é o teu amor que me assusta. É não amares ou não o assumires. É amar-te demais. É o temer não estar à altura de retribuir o que me devotes. É o medo de fracassar na busca dos equilíbrios instáveis. É o temor da censura, em teus olhos admiráveis. É o cansaço, visível, em minha pele engelhada. Não são as noites escuras que me assustam. Não são os frios polares que me enregelam. Não são as chuvas ácidas que me queimam. A naturalidade, de desastres previsíveis, não me desinquieta. É apenas a vastidão da tua ausência que me dói. Em argila, lúbrico, minhas mãos moldam teu corpo. Nele domicilio toda a ternura, e absorto, sou ceramista extasiado: o teu pescoço é poço de beijos; os teus seios, cerne de anseios; o teu ventre, meia-lua magnificente; as coxas tuas, onde me enlevo abençoado. Da obra prima, resto arquitecto saciado. |
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Saí à rua. Chovia. - Ev’rything’s awright, luv? |
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(Súbito, um raio de sol fulgira, |
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| [Luís Eusébio] | |







